O ex-governador Paulo Hartung (PMDB) abreviou o período de quarentena política em que se manteve mergulhado e decidiu voltar à cena política esta semana. Após pedir para o senador Ricardo Ferraço (PMDB) armar uma reunião de urgência com o governador Renato Casagrande (PSB) – da qual também teria participado o prefeito de Vitória João Coser (PT) -, Hartung tentou convencer o atual chefe do Executivo estadual de que tinha nas mãos o mapa da geopolítica ideal. Um arranjo capaz de fortalecer os aliados do PSB e, de quebra, pavimentar a reeleição de Casagrande em 2014.
Antes de revelar os segredos do tal mapa, no entanto, Hartung teria gasto um bom tempo na introdução da conversa. Ele precisava convencer Casagrande que o senador Magno Malta (PR) era uma ameaça real para as pretensões do socialista em 2014. O raciocínio do ex-governador é relativamente simples: Casagrande deveria minar os candidatos do PR para enfraquecer Magno Malta. Consequentemente, a estratégia o fortaleceria.
Ao colocar Magno Malta como ameaça a Casagrande num possível embate entre os dois em 2014, Hartung e o senador Ricardo, automaticamente, se excluíram do páreo, uma vez que a futurologia defendida por eles não os inclui neste cenário eleitoral.
Considerando que a imagem política do ex-governador está hoje bastante deteriorada, é plausível que ele, de fato, não tenha forças para se lançar em 2014. Já Ricardo Ferraço, que tem feito um bom trabalho no Senado, estaria riscando seu nome como alternativa factível para a disputa de 2014.
No final da introdução, ficou patente que a primeira “peça pregada” por Hatung – Magno como ameaça – não chegou a assustar o governador. Em seguida, Hartung apresentou o novo mapa da geopolítica para a Grande Vitória e Cachoeiro de Itapemirim.
Como primeira “mexida”, naturalmente, Hartung sugeriu a Casagrande que desarticulasse o candidato mais forte do PR, o prefeito Neucimar Fraga, que busca a reeleição no maior colégio eleitoral do Estado, o município de Vila Velha. O PSB deveria passar a apoiar o deputado estadual Rodney Miranda (DEM), eterno afilhado de Hartung. Não estaria descartada ainda uma aliança entre o PSB e o PT, com o vereador João Batista Babá na cabeça da chapa puxando o PSB e PMDB.
Na Serra, a recomendação foi para o governador buscar equilíbrio na disputa entre Audifax Barcelos (PSB) e o prefeito Sérgio Vidigal (PDT). O plano seria fortalecer Vidigal para mostrar que não é de Magno que vem o apoio ao prefeito. A estratégia, um pouco enviesada, é verdade, mostraria que o republicano não tem toda essa força na Serra e que o seu apoio a Vidigal tem de ser relativizado.
O complemento do mapa geopolítico serrano incluiria o deputado estadual Roberto Carlos (PT) na vice de Vidigal. O problema é que o diretório petista na Serra não quer Roberto Carlos como candidato. A candidata de consenso dos petistas serranos é a vereadora Lourencia Riani, que Vidigal não quer ver na frente nem pintada de ouro, ou seja, inviável. Existe também o problema de a proposta de Hartung seguir na contramão dos anseios do PT na Serra, que está muito mais próximo de Audifax.
Em Vitória, o plano seria fortalecer a candidatura do deputado federal Lelo Coimbra (PMDB), que sairia com o vereador Serjão Magalhães (PSB) como vice. Outro cenário pouco provável, já que Serjão está decidido a manter a sua candidatura.
Completando o quadro na Grande Vitória, a orientação para a sucessão em Cariacica foge da estratégia política e cai no campo pessoal, parece que da vingança. Hartung disse que não queria ver Marcelo Santos (PMDB) prefeito de Cariacica. O plano proposto por Hartung é fortalecer a candidatura do vice-prefeito Juninho (PPS) ou da candidata do PT, a deputada estadual Lúcia Dornellas.
No sul, em Cachoeiro de Itapemirim, a lógica é óbvia. Minar a candidatura do deputado estadual Glauber Coelho, que é do PR e tem apoio de Magno Malta.
Fonte: Século Diário/José Rabelo